RACISMO DE ESTADO

UMA GUERRA DAS RAÇAS E SUA RELAÇÃO COM A NECROPOLÍTICA E EUGENIA

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.62236/missoes.v12i1.534

Palavras-chave:

Racismo de Estado, Biopolítica, Eugenia, Necropolítica

Resumo

O artigo analisa o racismo de Estado a partir da perspectiva foucaultiana, compreendendo-o como uma tecnologia de poder que articula biopolítica, soberania e mecanismos de normalização. Metodologicamente, a pesquisa é qualitativa, exploratória e bibliográfica, fundamentada em autores clássicos e contemporâneos sobre biopolítica, necropolítica, eugenia e teorias raciais. O desenvolvimento discute o surgimento da biopolítica no século XVIII, a estatização do biológico e a transformação da luta das raças em racismo de Estado, destacando seus efeitos na produção de vidas que devem viver e vidas que podem morrer. Analisa-se, ainda, a materialização dessas práticas no nazismo, na eugenia e nos regimes coloniais, refletindo sobre como tais racionalidades moldaram o pensamento racial moderno e repercutiram no Brasil. As considerações finais indicam que o racismo de Estado é inseparável da formação dos Estados-nação e das políticas de gestão da população, revelando-se como uma guerra biológica permanente. Compreender esses mecanismos é fundamental para analisar a persistência de dispositivos de exclusão e morte na contemporaneidade, especialmente em contextos marcados pelo legado colonial e por formas atuais de necropolítica.

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Biografia do Autor

Manuel Alves de Sousa Junior, Instituto Federal da Bahia

Doutor em Educação pela UNISC. Historiador. Professor do IFBA Lauro de Freitas. Colunista do Portal Soteroprosa. Membro da Academia de Cultura da Bahia.

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Publicado

2026-04-01

Como Citar

Sousa Junior, M. A. de. (2026). RACISMO DE ESTADO: UMA GUERRA DAS RAÇAS E SUA RELAÇÃO COM A NECROPOLÍTICA E EUGENIA. Missões: Revista De Ciências Humanas E Sociais, 12(1), 01–26. https://doi.org/10.62236/missoes.v12i1.534